Amambai está entre as cidades que mais recuperam floresta

Amambai foi o município que apresentou mais áreas regeneradas no período avaliado, num total de 1.947 ha, seguido da cidade de Corumbá (1.674 ha), Ponta Porã (1.090 ha), Juti (1.060 ha) e Tacuru (1.053 ha).

 
Estudo aponta municípios de Mato Grosso do Sul que mais regeneraram a Mata Atlântica nos últimos 30 anos. Foto: Felipe Schinaider Estudo aponta municípios de Mato Grosso do Sul que mais regeneraram a Mata Atlântica nos últimos 30 anos. Foto: Felipe Schinaider

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram uma avaliação detalhada sobre a regeneração da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul. O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a distribuição espacial do bioma, identificou a regeneração de 19.117 hectares (ha), ou o equivalente a 191,17 km2, entre 1985 e 2015. A área corresponde a aproximadamente 19.117 campos de futebol.

Segundo os dados do Atlas, Amambai foi o município que apresentou mais áreas regeneradas no período avaliado, num total de 1.947 ha, seguido da cidade de Corumbá (1.674 ha), Ponta Porã (1.090 ha), Juti (1.060 ha) e Tacuru (1.053 ha).

O estudo analisa principalmente a regeneração sobre formações florestais que se apresentam em estágio inicial de vegetação nativa, ou áreas utilizadas anteriormente para pastagem e que hoje estão em estágio avançado de regeneração. Tal processo se deve tanto a causas naturais, quanto induzidas por meio do plantio de mudas de árvores nativas.

A Mata Atlântica cobria originalmente 18% da área de Mato Grosso do Sul, ou seja, um pouco mais de 6,3 milhões de hectares. Hoje, restam apenas 707.136 mil hectares do bioma – 11,1% desse total. De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais, nos últimos 30 anos foram desmatados 42.816 mil hectares de Mata Atlântica no estado. Dos 79 municípios sul-mato-grossense, 52 têm ocorrência da Mata Atlântica. Em Mato Grosso do Sul tem quatro cidades entre as 100 que mais desmataram entre 1985 e 2015, conforme o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica. A área total desmatada por esses municípios é de 19.899 mil hectares, ou cerca de 198,99 quilômetros quadrados, que corresponde ao espaço de aproximadamente 19,8 mil campos de futebol.

Amambai foi o município que apresentou mais áreas regeneradas no período avaliado, num total de 1.947 ha. Foto: Felipe Schinaider Amambai foi o município que apresentou mais áreas regeneradas no período avaliado, num total de 1.947 ha. Foto: Felipe Schinaider

Bons ventos na Mata Atlântica Nos últimos 30 anos, houve uma redução de 83% do desmatamento do bioma. De acordo com Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, sete dos 17 estados da Mata Atlântica já apresentam nível de desmatamento zero. "Agora, o desafio é preservar o que resta e recuperar as florestas nativas que perdemos.[AB1] Embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, ou seja, se ocorreu de forma natural ou se decorre de iniciativas de restauração florestal, é um bom indicativo de que estamos no caminho certo", afirma Marcia.

Ao longo da história, a ONG foi responsável pelo plantio de 36 milhões de mudas de árvores nativas espalhadas pelo país, especialmente nas áreas de preservação permanente, no entorno de nascentes e margens de rios produtores de água. A Fundação SOS Mata Atlântica também restaurou uma área em Itu, uma antiga fazenda de café, que hoje é destinada para atividades relacionadas à conservação dos recursos naturais, restauração florestal e educação ambiental.

"Durante o monitoramento, constatou-se a existência de outras áreas ocupadas por comunidades de porte florestal em diversos estágios intermediários de regeneração, áreas essas que devem ser mapeadas e divulgadas em futuros estudos", esclare Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE.

Este estudo foi realizado com o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan. A análise se baseia em imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8. O Atlas utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e de geoprocessamento para monitorar remanescentes florestais acima de 3 ha.

Sobre a Mata Atlântica A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 estados: PI, CE, RN, PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS. Nessa extensa área vivem atualmente mais de 72% da população brasileira.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica A Fundação SOS Mata Atlântica atua há 30 anos na proteção dessa que é a floresta mais ameaçada do país. A ONG realiza diversos projetos nas áreas de monitoramento e restauração da Mata Atlântica, proteção do mar e da costa, políticas públicas e melhorias das leis ambientais, educação ambiental, campanhas sobre o meio ambiente, apoio a reservas e unidades de conservação, dentre outros. Todas essas ações contribuem para a qualidade de vida, já que vivem na Mata Atlântica mais de 72% da população brasileira. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atua nas áreas de Observação da Terra, Meteorologia e Mudanças Climáticas, Ciências Espaciais e Atmosféricas e Engenharia Espacial. Possui laboratórios de Computação Aplicada, Combustão e Propulsão, Física de Materiais e Física de Plasmas. Presta serviços operacionais de monitoramento florestal, previsão do tempo e clima, rastreio e controle de satélites, medidas de queimadas, raios e poluição do ar.

O INPE aposta na construção de satélites para produção de dados sobre o planeta Terra, e no desenvolvimento de pesquisas para transformar estes dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo. Também se dedica à distribuição de imagens meteorológicas e de sensoriamento remoto, e à realização de testes e ensaios industriais de alta qualidade. Além disso, o Instituto transfere tecnologia, fomentando a capacitação da indústria espacial brasileira e o desenvolvimento de um setor nacional de prestação de serviços especializados no campo espacial. Mais informações em www.inpe.br.

Fonte: Portal do Governo de MS

Tabela de regeneração ocorrida nos municípios Tabela de regeneração ocorrida nos municípios